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Adeus mundo VUCA! Seja bem-vindo, mundo BANI!


Você com certeza já deve ter ouvido falar do mundo VUCA, criado na década de 80 pelo exército americano para explicar como as coisas iriam acontecer nas décadas que viriam. Eu tive conhecimento do termo no mundo corporativo muito tempo depois de sua criação, há cerca de seis anos. Aquilo fez muito sentido pra mim.


Nos últimos tempos, vivemos em um mundo onde a volatilidade imperou. Os altos e baixos das bolsas de valores atraíram muitos novos investidores e fizeram muita gente crescer, mas também falir – nada parece permanente. Na política, também vimos uma grande parte da população muito mais atenta e participativa às mudanças de conduta da esquerda e da direita a cada nova eleição. A polarização cresce.


O mundo que sempre foi linear e simples passou a ser incerto e complexo e a única certeza é a de uma constante mudança em tudo ao nosso redor. Somos incapazes de realizar previsões assertivas em qualquer área e aquele que consegue tem as mesmas probabilidades de acertar em uma grande loteria. Sorte? Quem acertou dirá que não mas, por mérito ou não, as chances de acerto sempre foram mínimas e as margens aceitáveis de erro são cada vez maiores.


Aquela simplicidade de viver pautado por uma vida com poucas escolhas – estudar, ter uma carreira, casar, ter filhos e se aposentar – passa a ser questionada com o avanço da tecnologia e a transformação digital. Estudar já não é mais algo para se fazer em um período específico da vida, passa a ser necessário o tempo todo. Ter uma carreira em uma única empresa não é mais tão desejado por esses novos profissionais que estão sempre em busca de outros desafios. Até a instituição do casamento deixou de ser valorizada e outras formas de união foram criadas e aceitas legalmente. E o que dizer da orientação sexual? Já nem sei mais os significados das letras que representam a diversidade de gêneros alternativos LGBTQIA+


Consumidores no poder, empresas em busca de seguidores, personalização, era da segmentação, dos modelos analíticos de propensão, da inteligência artificial, robotização e das infinitas possibilidades de escolha. Se você me quiser como cliente, me conquiste com uma experiência única! Esse é o meu desejo como consumidor, pois eu tenho o poder da escolha. Para qualquer empresa isso é muito complexo de ser implementado com qualidade, além de ser muito caro.


O povo quer renda mas não busca trabalho, o político quer governar diferente mas se corrompe com o mecanismo que encontra pela frente, as pessoas querem ter sucesso e felicidade, mas morrem tentando pagar suas contas e se mantendo infelizes na carreira. Direita ou esquerda, caro ou barato, ter razão ou ser feliz, comprar ou alugar, dilemas ambíguos que dependem do contexto e do ponto de vista subjetivo de cada ser humano.

Esse foi o mundo VUCA até agora... e quando todos já começam a entender essa dinâmica tudo muda novamente e o que era de certa forma "acolhedor" para explicar o que estava acontecendo cai por terra e se torna obsoleto. E eis que durante 2020 um novo acrônimo surge pra explicar o que já estava acontecendo, o Mundo BANI (Frágil (Brittle), Ansioso, Não-linear e Incompreensível). Criado por Jamais Cascio do Institute for the Future em 2010, o termo passa a ser publicado e divulgado pelo mundo em 2020. Cascio diz que aquilo que era volátil passa a ser frágil. O que era complexo para as pessoas, passa a deixá-las ansiosas. Tudo passa a acontecer ao mesmo tempo, o tempo todo, numa lógica não-linear, deixando tudo de uma maneira lindamente incompreensível.

Um vírus impacta a economia mundial, quebrando empresas e deixando milhares de desempregados. Um incêndio numa estação elétrica deixa um estado inteiro sem luz por vários dias. Um executivo comete uma falha nas redes sociais e isso acaba com sua reputação e o valor de sua empresa. Um hacker rouba informações sigilosas da inteligência de um país, um produto fica indisponível por problemas de segurança. O mundo se tornou frágil e não há mais como ter um sistema 100% seguro.

Acesso fácil a qualquer coisa, em qualquer lugar, a qualquer instante, as escolhas são infinitas. É muito difícil saber o que ler ou o que consumir mesmo com o Google para te ajudar. Tudo muda e muda muito rápido e essa incerteza gera insegurança e medo, deixando muitas pessoas ansiosas. Não conseguimos controlar mais as mudanças, nem fazer um planejamento estruturado de longo prazo. Não há mais tempo para diagnósticos longos, é necessário agir, assumir riscos, fazer, testar, errar e repetir. Ter planos A,B,C,D .. Z.

Ousadia e alegria, viver com propósito e com a certeza de saber porque estamos aqui e por quem estamos fazendo o que fazemos (ou o que queremos fazer). Se queremos ser felizes e ter sucesso devemos abrir mão do controle e da racionalidade e passar a desenvolver novos comportamentos, dançar conforme a música.

O mundo virou uma metamorfose ambulante, tudo acontecendo ao mesmo tempo de forma assíncrona, não-linear, numa lógica incompreensível. Tentar explicar é impossível, tentar controlar é inútil, suas respostas já não valem nada nesse mundo que te desafia a cada dia com novos fatos e informações a todo instante.

Não perca seu tempo buscando entender, sinta o que está acontecendo, veja se faz sentido pra você e tome uma atitude alinhada à sua filosofia de vida, naquilo que você acredita, no seu propósito. Arrisque-se e faça mas, se errar, aprenda e corrija rápido, lembre-se da fragilidade de tudo. É muito divertido pensar que temos que nos descontruir pra enfrentar essa nova etapa de mundo, buscar como nunca o autoconhecimento e viver na fluidez e no abandono à luz – assim como a água, que quando encontra uma barreira desvia o seu curso ou quando encontra um buraco se acumula nele até transbordar e seguir o seu caminho.

Não estamos apenas na era da revolução tecnológica, mas da revolução antropológica, onde entender o comportamento humano é fator crítico de sucesso para qualquer um. BANI é o novo acrônimo desse mundo.

Um mundo onde as soft skills são essenciais pra se conviver com relevância, para lidar consigo mesmo, com os outros e com os inúmeros desafios que vamos viver daqui por diante. Para lidar com a fragilidade, precisamos de capacitação e resiliência. Para lidar com a ansiedade, precisamos de empatia e de cuidar da saúde mental. Num mundo não-linear precisamos prestar atenção ao contexto e sermos adaptáveis. Num mundo incompreensível precisamos de transparência e intuição.

Adeus mundo VUCA, seja bem-vindo mundo BANI!

Viva, sinta e seja feliz.


*Juliano Frade é sócio-fundador da SBN.

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