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Do sucesso à relevância

“Como vivo define meu valor na sociedade”.


A construção da personalidade de uma pessoa começa na infância. Tem características internas, mas é muito influenciada por fatores externos como cultura, crenças e experiências, enfim, tudo o que vivenciar na caminhada de aprendizados chamado vida. Essas influências externas definirão seus valores morais e éticos e, como consequência, sua conduta na forma de conviver em sociedade.


Convivência é coexistir de forma pacífica e harmoniosa com o outro, ou outros. Neste contexto, acredito que nosso grande desafio nesta crise mundial de valores, ou crise de conduta e convivência mundial, só poderá ser equacionada se conseguimos ter referências para avaliarmos a nós e a sociedade no cotidiano.





Somos corresponsáveis por todo o planeta em níveis diferentes de influência. Como todo ser humano é um ser social, pois não consegue viver absolutamente sozinho, a consciência e civilidade de uma sociedade depende do nível de qualidade da convivência do individuo em relação a si mesmo e em relação à sociedade.


Ninguém pode negar que, num ambiente onde existe cooperação e compaixão, a convivência é mais saudável e as pessoas são mais felizes. Nascemos para viver em paz, em harmonia, mas a intolerância em relação às diferentes formas de cultura, religião, economia e visões de mundo fazem nossa coexistência uma sequencia de conflitos. Uma das distorções mais nocivas é achar que solucionar conflitos, vencer disputas, ter bens materiais e poder define uma pessoa de sucesso.


A palavra sucesso significa ter êxito em alguma coisa, dar resultado, conseguir chegar ao fim de uma empreitada. Isso é ótimo e imprescindível para a evolução humana, pois nos motiva a superar desafios e a ter a sensação de dever cumprido. O problema, baseado na minha visão de viver e produzir de forma sustentável, é que o sucesso não é o suficiente, é apenas uma etapa em direção à relevância. Entendendo relevância como aquilo que tem muita importância e cunho público, pois impacta a coletividade e/ou sana a dor de alguém, concluímos que sucesso relevante é realizar algo importante para a coletividade. Isto dá consistência existencial ao sucesso, dá uma consciência genuína de grupo e nos faz viver e até competir de forma saudável.


Nossa sociedade está desmotivada apesar dos enormes avanços tecnológicos, aumento da oferta de produtos, comodidade nos serviços e enormidade do conhecimento humano. Com certeza tivemos sucesso com todas essas melhorias, mas é hora de darmos significado a elas, ampliar a sensação individual de sucesso, instigar a construção de legados baseados em sucessos com impacto coletivo. Tudo isso muda nossa forma de viver e valoriza o chamado legado.


O meu conceito de legado diz que “são marcas relevantes, que deixamos através do sucesso de nossas ações baseadas em um propósito maior, que auxiliam na construção de uma vida pessoal e coletiva sustentável. Representa a expressão de nossos valores éticos e morais e define a qualidade do nosso nível de convivência”. Isto é, como, a partir de uma vivência individual, expresso minha participação coletiva, minha importância no todo. Como, a partir de uma visão privada, vivo o público, o coletivo, vivencio ações e atitudes relevantes na comunidade. Este espírito solidário que sana a dor de pessoas ou resolve problemas de interesse coletivo é a base de uma vida com sentido, seja no lazer, educação, na produção de bens de consumo, serviços, ou no estabelecimento das relações humanas.


Lembrando da frase “quem não é visto não é lembrado”, nosso legado define se e como seremos lembrados, seja para uma festa ou para um emprego. Como venho da área de Exatas, comecei a elaborar parâmetros para uma economia e capitalismo mais consciente, e um deles é o INC - Índice de Nível de Convivência.


O INC pode ser aplicado a pessoas, bairros, estados, países e à humanidade como um todo. Define o que estamos fazendo que tenha relevância nestas diferentes instâncias, nosso sucesso baseado em comportamentos e realizações inspiradas por um propósito maior. É o somatório de ações de impacto educacional, cultural, socioeconômico, bem como impacto na saúde, lazer e estilo de vida. Mostra nosso real valor, nossa capacidade de inovação, produção cooperativa e inspiração motivacional. É um espelho de quem realmente somos no contexto coletivo, na vida pública. Define com quem queremos trabalhar, ou convidar para um almoço em nossa casa. Escancara a qualidade e eficiência do que realizamos e, com certeza, facilitará a escolha de gestores públicos e privados. Por fim, no âmbito mundial, permitirá analisar nossos avanços enquanto humanidade, seja em situações como a dos refugiados, ou no trato com a corrupção e ganância.


Os estudos e análises para a construção do INC permitem que tenhamos uma visão nua e crua das inconsequências que aceitamos ou às vezes até alimentamos e que tem como resultado o aumento da violência, dos abismos sócio-economicos e da conivência com a fome e a miséria. Estampa em nossas mentes e corações nossas incompetências enquanto coletividade e, com isso, permite que possamos refletir e mudar.


Há mais de duas décadas desisti de viver e consegui me reerguer ao definir o propósito de mudar pessoas para transformar o mundo. Isso mudou muito o meu INC e, como consequência, me sinto mais acolhido, pertencente, útil, feliz por ter uma vida de sucesso, mas com relevância. Quem quiser saber se está construindo um legado na vida, basta perguntar a si mesmo: caso eu morra hoje, quantas pessoas irão se lembrar de você e por quanto tempo? Na época que fui um empreendedor enlouquecido, atrás apenas de sucesso, as respostas a essas perguntas não seriam nada agradáveis e confortantes. Porém, depois do meu colapso, refleti e mudei, e venho deixando marcas relevantes. Hoje tenho um INC que me fará ser lembrado por muitas pessoas, por muito mais tempo, e a possibilidade de ser lembrado de forma positiva, seja para um emprego, ou para uma festa.


Sou polêmico, algumas vezes amado e outras nem tanto, seguido e algumas vezes negado, pois não faço e não falo o que as pessoas querem e sim o que acredito que elas precisem. Só dou orientações baseadas naquilo que vivo em minha própria vida, pois busco ser o melhor conselho que posso dar a alguém. Acredite, fazer a diferença fazendo diferente faz a vida valer a pena. Pense em você, mas também no coletivo. Se quiser melhorar seu INC me avisa que te ajudo, “tamu juntu”!


*Cari Mello é empreendedor, mentor, coach e netweaver.


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Criado por Ynusitado