Buscar
  • SBN

Mapeando os valores do filme: o milagre na cela 7



Como uma apaixonada pela cultura turca e especializada em mapeamento dos sentimentos, não poderia deixar de comentar esse maravilhoso filme que encanta e desperta tantas emoções . A sincronicidade do filme com o momento atual, para quem conseguiu absorver as entrelinhas, é um verdadeiro chamado para a reflexão sobre ressignificar valores.


Talvez essa conexão tenha levado ao sucesso o filme exibido na Netflix, que conquista grande público. Muitos comentam e analisam vários aspectos da obra.

O filme encanta também por mostrar uma cultura a qual muito estamos distantes. A simplicidade transparente nos detalhes da família protagonista do filme. A avó Fatma, Memo (condenado pela morte de uma menina) e sua filha Ova. As riquezas em formas de maçã do amor e lindas mantas bordadas numa casa que transparece o amor.

A anciã, a avó Fatma, é de uma sabedoria que nos remete à reflexão sobre os nossos ancestrais. Sobre os valores e a importância de uma educação alicerçada no amor e na preservação da nossa criança interior.

Além da mensagem de amor, esperança e otimismo, gostaria de destacar alguns pontos que me prenderam e me fizeram refletir, além de, claro, chorar rios de lágrimas e matar a saudade da Turquia.

Para quem me acompanha, sabe da minha paixão por esse país. Tive a oportunidade de viver um sabático na Turquia, em Istambul, e sempre falo que é a minha segunda casa.

Se tiverem curiosidade sobre minhas aventuras em Istambul, escrevi alguns artigos que podem ser encontrados no blog: https://bit.ly/blog_prispencer_Istambuleseusencantos.

Vamos voltar ao filme.

Se você ainda não assistiu, prepare-se. Deixe uma caixa de lenços por perto.

Bom, começo pelo que mais me chamou a atenção, a cela 7, onde Memo está encarcerado. Quem estuda numerologia sabe que o número 7 é um número de transformação. É o número da espiritualidade. Sonhei muito com esse número (resultante de somas de outros) quando iniciei o meu processo de busca da espiritualidade dentro de mim. Esse número integra os dois mundos, espiritual e material, processo visto em muitos dos personagens dentro da cela.

Outra conexão com o atual momento é o fator prisão. Estamos todos “presos” em nossos lares, muitos aproveitam esse momento para entender seus valores e ressignificar outros. Muitos tentam sair de suas prisões internas, assim como os personagens da cela 7.

Sete é o número das cores do arco-íris, dos dias da semana, dos 7 chackras... vocês podem pesquisar mais sobre o número. Não vou me estender pois não sou especialista.

Os ressignificados presentes na vida dos prisioneiros da cela se tornam evidentes após a chegada de Memo e a visita de sua filha, Ova. A essência genuína de ambos resgata o amor perdido daqueles seres encarcerados em suas próprias almas.

Uma cena muito marcante é quando Ova pergunta aos presos qual a doença de cada um: cobiçar o que era do outro (roubar), acreditar em mentiras (o pai que matou a filha por acreditar em mentiras sobre ela), o ato de tirar a própria vida (o rapaz que tenta suicídio). Percebem que as prisões são internas?

E a árvore que o personagem que matou a filha olha fixamente na parede? Qual o significado da árvore? Não é o símbolo da vida? Uma vida desperdiçada e condenada por si próprio.

Ova é o símbolo da pureza, do amor puro, genuíno em sua essência de menina. Ela representa a cura feminina. A cura pela criança interior. É a força feminina que desperta a cura daqueles presos na cela 7, presos em suas mortes internas.

Ova permite a libertação de cada um de suas prisões internas.

Essa é uma reflexão que nos remete aos dias atuais. Qual é a nossa prisão? Quais são as nossas prisões internas?

Será que estamos conectados com a nossa criança interior? Será que estamos cuidando dela? Será que estamos acolhendo a nossa criança?

A professora de Ova, Mine, acolhe-a como se fosse sua filha. Ela mostra que a função de educadora é muito mais do que ensinar. Ela está presente na vida de Ova, com carinho e afeto. Leva-a até a prisão para visitar seu pai. Se mostra uma guardiã de Ova.

As injustiças do governo também são abordadas no filme. Mas aqui vou me conter e seguir apenas com os personagens que nos trazem a reflexão sobre os novos valores, especialmente porque estamos de certa forma “presos” fisicamente em nossas casas, momento em que podemos cutucar as nossas prisões internas.

Dei muito Spoiler, então deixo os demais detalhes para vocês. Para quem ainda não assistiu, vale muito apena ver e refletir. Aqui relacionei algumas de tantas outras que podemos enxergar.

Outros personagens também merecem destaques com relação aos ressinificados. Observem o chefe da cela, Askorozlu, o preso que matou a filha, o próprio diretor do presídio...

O filme é uma porta aberta à cultura turca, cores, músicas, tradições, culinária e costumes. É encantador. Me fez lembrar da minha infância com meus avós no Rio Grande do Norte.

Ah percebam também os elementos do filme, os símbolos e objetos. Existem também reflexões junto aos objetos e símbolos.

Bom filme! E pode derramar lágrimas sem medo! Chore! Faz bem! Especialmente se você está com vontade por tudo que estamos vivendo, mas segura, aproveite o filme e chore. ;)

Priscylla Spencêr (https://www.priscyllaspencer.com/)

Especialista em Facilitar Transformações, entusiasta nos assuntos sobre a relação humana e autoconhecimento e especialista em mapear processos e sentimentos.

12 visualizações

Criado por Ynusitado