Buscar
  • Equipe SBN

"Tive que eliminar todo julgamento para começar a agir"

Leia o depoimento de Raquel Monteiro, voluntária das ações da TamuJuntu SBN, que distribui marmitas a moradores em situação de vulnerabilidade em São Paulo, na Praça da Sé. Quer ajudar na causa? Seja um colaborador recorrente e ajude o projeto a crescer.




“Para mim tudo começou há 15 anos, quando trabalhava com uma amiga que fazia entrega de marmitas com amigos uma vez por mês, às sextas-feiras à noite. Ela sempre me contava na segunda-feira subsequente como havia sido. Eu achava incrível a coragem deles.


Ela me contava várias histórias, uma delas sobre um ex-jogador do Palmeiras em situação de rua que eles resgataram e ajudaram a voltar para a convivência com a família. Eu pensava que queria participar, mas é engraçado como minha mente criava 500 motivos para eu não agir.



Nunca parei de pensar nessa amiga que tinha tanta coragem e iniciativa.

Após a vinda da pandemia, finalmente deixei de lado os 500 motivos que criei para não agir antes e comecei a colocar em ação a ajuda ao próximo. Primeiro, resolvi usar meu vale-restaurante e com ele comprar quantas marmitas pudesse para distribuir no centro da cidade, para quem quer que encontrasse pela frente.


Quando contei minha ideia para a Laís – minha amiga e melhor fisioterapeuta do mundo – parece que todas as portas se abriram, o sogro dela tem um restaurante e já tinha trabalhado com entrega de marmitas, uma história muito bonita para contar.


Laís e Jean, o marido dela, também entraram na loucura e foi assim que em 6 de maio de 2021 fizemos nossa primeira entrega e distribuímos 100 marmitas. Saímos os três à noite, sem destino certo, andando de carro pelo centro de São Paulo, sem saber direito onde parar. Ao chegar na praça da Sé, havia uma multidão de pessoas. Aquelas 100 marmitas que pareciam uma fartura enorme acabaram em minutos. Quando as pessoas nos viram chegar, entenderam rapidamente que se tratava de entrega de marmitas, fizeram uma fila e em segundos a entrega começou.


Foi muito frustrante ver que as marmitas acabaram e a fila continuava enorme, uma gota no oceano. A sorte foi que bem no final da distribuição outro carro chegou e continuou a doação de onde a gente parou. A partir desse dia, entregamos no mínimo 100 marmitas mensalmente no mesmo local. Por vezes temos mais pessoas nos ajudando, em outras nos organizamos melhor e às vezes é um caos, mas o importante é que estamos sempre lá.


Sei que entregar marmitas não salva o mundo, não vai tirar ninguém das ruas, mas essa simples ação fez uma enorme diferença na minha vida. Demorei muitos anos para iniciar essa ação, tive que admitir para mim mesma que sou privilegiada e que praticamente tudo que faço é para mim mesma, inclusive quando faço o bem para alguém da família, ou para um amigo, ou ajudo uma causa em que acredito contribuindo em dinheiro.


Tive que eliminar todo o processo de julgamento das pessoas que vão receber a marmita, pois não estou no lugar delas para saber o que aconteceu para estarem lá.


Aproveito para agradecer a Milla, que me apresentou a SBN, e fez essa conexão com o TamuJuntu SBN e ao Cari Mello, que vem me guiando na escuridão, além do Bruno Farinhas, que plantou essa semente lá em Santos e fez a semente subir a serra até São Paulo. Por fim, não tenho palavras para demonstrar a alegria que sinto ao fazer a ação todo mês com a Viviane Jardim na Praça da Sé.”

13 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo