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Um vírus que nos faz pensar no outro em primeiro lugar

Ao assistir uma live da escola da minha filha caçula, em que uma mãe e médica infectologista que está na linha de frente do combate ao coronavírus detalha o funcionamento do Covid 19, sua transmissão e os tratamentos disponíveis para explicar os cuidados da escola no volta às aulas veio uma "luz" muito clara do que estamos passando. Ela disse uma frase que fez cair todas as fichas:


- Se pensarmos somente no indivíduo, esta pandemia nunca vai acabar. Temos que pensar na comunidade.

Ela explicou que, como 80% das pessoas apresentam sintomas leves da doença, mas começam a transmiti-la dois dias antes dos primeiros sintomas, quando eles existem, entendemos que para o indivíduo em si a priori não há muito risco. Mas ao não tomar os cuidados do uso da máscara no período de transmissão, uma única pessoa pode infectar muitas outras com as quais teve contato. E estas podem ter ou podem conviver com familiares que têm fator de risco e que levem a um caso mais grave da doença e, no limite, a óbito.

Por isso a frase acima me chamou tanto a atenção: se você não é uma pessoa do grupo de risco e não tomar os cuidados necessários de proteção, há uma grande chance de nada acontecer com você. Mas quantas pessoas em potencial você pode contaminar e quantas podem evoluir para o caso mais grave e eventualmente vir a óbito? Você tem noção de que pode ser o responsável por mortes de pessoas somente porque decidiu pensar somente em si mesmo e não usar a máscara ou se higienizar corretamente quando sai às ruas? Esta decisão unilateral pode causar danos irreversíveis ao outro. E, se realmente soubesse disso, acredito que a maioria das pessoas mudaria este comportamento.

Talvez isso venha a explicar porque no mundo ocidental, dominado sobremaneira pela competitividade e pelo lucro econômico acima de tudo, há tanta resistência ao uso da máscara nas ruas, a minimizar os riscos desta pandemia e a dizer que basta isolar idosos e pessoas do grupo de risco que a vida pode voltar ao normal. Quando estamos centrados no ego e na ilusão da separação, o outro não é importante. Mas isso será assunto para um outro post...


Finamente vem a minha reflexão metafísica sobre este vírus. Ele mudou completamente nossos hábitos, nos isolou dentro de casa para nos voltarmos para dentro mas, principalmente, nos veio trazer o aprendizado espiritual mais importante: o de agirmos pensando no outro em primeiro lugar.

*Monica Miglio Pedrosa é jornalista, empreendedora e netweaver. Procura ajudar pessoas através do compartilhamento de seus aprendizados e reflexões obtidos através de intensos processos de autoconhecimento.

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Criado por Ynusitado